sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Vampiros emocionais: defenda-se de quem lhe suga a energia.


E se lhe dissessem que os vampiros, afinal, existem? Não dormem em caixões nem nos sugam as carótidas: pior, sugam-nos vitalidade, deitam-nos abaixo, destroem-nos. Saiba já como descobri-los e como se defender deles.

O par romântico do lindíssimo ‘Crepúsculo' - em livro ou filme, conforme a preferência, e devidamente ‘vegetarianos', de acordo com a sensibilidade da época - voltou a pôr na moda o universo dos vampiros. Sempre povoaram o nosso imaginário, tal como os fantasmas ou os lobisomens, com a diferença de que os vampiros vestiam smoking, tinham mais glamour e uma conotação sexual que os tornava imediatamente mais atraentes. Mas não há vampiros só no reino da nossa imaginação e no escuro do cinema. Descobrimos que estamos rodeados deles (embora nem todos andem de smoking). E que até podemos, sem o saber, ser um deles.

O psicólogo americano Albert Bernstein foi o primeiro a dar-lhes este nome, no livro ‘Emotional Vampires: Dealing with People Who Drain You'. Segundo a sua definição, um ‘vampiro emocional' é alguém imaturo e narcísico que nos suga a nossa energia vital de várias maneiras: cansa-nos, obriga-nos a prestar atenção, dá cabo da nossa autoestima. Toda a gente já esteve, de uma maneira ou de outra, em contacto com um vampiro. Lembra-se da sua tia que não parava de falar? Da sua amiga que se lamentava das malvadezas do namorado mas depois não queria nem ouvir conselho? Da mãe que nos cobrava incessantemente? Do colega que nos arrasava com comentários negativos? Quem nunca encontrou um vampiro, que atire o primeiro alho...

Podemos salvar o nosso pescoço? Fomos perguntar a quem sabe.

Mostre-lhes o espelho
"Um vampiro, por definição, é alguém que suga sangue, e o sangue em tradições exotéricas é símbolo de energia", explica o psicólogo Vítor Rodrigues. "Se pensarmos nisto pelo lado psicológico, há várias razões para sentir que estamos a ser sugados. Por exemplo, pode haver uma pessoa que me faz sentir drenado por razões de que nem eu nem ela estamos conscientes. Ela pode-me despertar medos, memórias, recalcamentos, que me fazem sentir mal, sem que nem eu nem ela tenhamos culpa."

Depois, há aquelas pessoas de que o Bernstein falavam, que capitalizam conscientemente em fazer-nos sentir mal para se sentirem bem. "São ofensores profissionais. Sentem prazer em diminuir os outros, em explorar medos e fraquezas, sentem-se fortes quando fazem sentir fracos os outros."

Tal como os vampiros, são dependentes de ‘sangue' alheio. São personalidades narcísicas que ferram os caninos no nosso ego e não largam. E então como é que nos defendemos? "Teoricamente, o que trama um vampiro é o sol, a claridade, o pôr a nu. Ora simbolicamente, o que é que também trama um vampiro emocional? Pôr a claro o que ele está a fazer de maneira mais ou menos obscura. Por exemplo, se alguém me diz: ‘Neste aspecto profissional, não és lá muito competente, meteste água no mês passado', eu respondo-lhe simplesmente, ‘E tu pareces ter um interesse especial em fazeres-me notar isso'. Ou seja, aquilo que era uma manobra implícita é transformado numa jogada às claras que normalmente desarma o agressor."

A estratégia do disco rachado
Mas existem outros tipos de vampiros: o chantagista, que nos faz sentir culpadas acusando-nos do mal que lhes fizemos. Ou o ‘sofredor', que monopoliza a nossa atenção e nos obriga a ouvi-lo. Não quer soluções, quer é queixar-se.

Vamos lá usar o remédio clássico e virar-lhes o espelho, mostrar-lhes a luz. Problema: como é que se lhes mostra a luz quando elas não páram de falar o tempo suficiente para ver a luz?

"Há uma estratégia eficaz nas vendas por telefone, que é o disco rachado", lembra Vítor Rodrigues. "Quando eles querem vender as vantagens maravilhosas de um produto, a gente repete 50 vezes: ‘Não estou interessado', sem gastar qualquer energia psíquica." O quê, vou dizer que não estou interessada a uma amiga que me telefona? "Às vezes, essas pessoas não são assim tão nossas amigas. São narcísicas que precisam de atenção e estão a explorar-nos, não estão nada interessadas em ouvir-nos a nós."

Mas há uma solução não-agressiva: "Podemos dizer, ‘Ouve lá, estamos aqui com queixas e queixas, afinal onde é que vamos chegar com isto, o que é que tu queres de mim?' Claro que é preciso ter a coragem de fazer isto. Mas temos de treinar a autoafirmação, respeitar as outras pessoas mas ter também respeito por nós. Devemos exigir o direito aos nossos sentimentos e preferências, ao nosso gosto e desgosto."

Também há as ‘vampiras' que fazem sacrifícios que os outros não pediram e depois se sentem no direito de exigir retorno. "Neste caso, o que há a responder é, ‘No momento em que me estás a cobrar o que te dei, passa a ser um negócio. Então vamos lá tratar isto como um negócio: o que é que tens para a troca?'

Não seja um ‘pescoço'
Problema: as vítimas podem sentir-se orgulhosas de serem vítimas... Dizem, ‘ah a Maria é tão chata', mas no fundo sentem-se úteis e especiais. "Claro. É como aquelas pessoas que têm orgulho em serem más porque é a única coisa em que são boas...."

Quem atacam os vampiros? Afinal, onde há um vampiro, tem de haver um pescoço. Os ‘pescoços' típicos são aquelas pessoas que dão conversa e colo, as mães do mundo. Ao princípio sentem-se importantes porque alguém precisa da ajuda delas, e de repente descobrem-se presas, porque a outra pessoa não quer nem ajuda nem amizade, só um par de ouvidos... Há pessoas mais atreitas a serem vítimas, há ‘pescoços profissionais'? "Até certo ponto, sim. Mas todos nós já fomos vampiros emocionais em algum momento, e todos nós já fomos ‘sugados'. Um amigo pode dizer qualquer coisa inconveniente, e tudo bem. Mas quando o faz por sistema, sem respeito pelos meus sentimentos, já não é meu amigo. Portanto, uma coisa é dar uma ‘sugadela' tipo melga e outra é sacar ao outro um litro de sangue."

Ou seja, é um pouco como lidar com uma criança birrenta: se alimentamos a birra, estamos a ensinar que fazer birras resulta, e não estamos a ensiná-la a crescer. "Idealmente, ignoramo-la quando faz uma birra, e damos-lhe atenção quando se comporta de forma mais madura. Com os adultos, isto também é válido. Quando a pessoa está a ser muito chata, podemos dizer: ‘Olha, vou à minha vida', ou, se tiver de ser, ‘Desculpa lá mas o que estás a dizer não me interessa nada'."

Outro problema: temos imensa dificuldade em fazer isso. "Crescemos numa sociedade onde a hipocrisia abunda. Não somos treinados nem para sermos sinceros nem para aceitarmos a sinceridade dos outros. Não conseguimos assumir aquilo que queremos e que pensamos. Mas aprender a fazer isso, de preferência da maneira o menos ofensiva possível, é uma arte importantíssima de afirmação pessoal."

Ainda por cima, seremos mais respeitados se dissermos aquilo que temos a dizer. É verdade que nem sempre dá muito jeito ouvir as verdades, mas aqueles que as dizem é que são os nossos amigos.

E se vir... um vampiro a sério?
Mas há o outro lado da história (há sempre..): até que ponto é possível haver pessoas que suguem de facto a nossa energia. "Suspeito que as haja, sim", defende Vítor. "Há investigações sérias que mostram que, até certo ponto, um ser humano pode influenciar sistemas físicos intencionalmente." E se é possível um ser humano influenciar outro ser humano, também será possível retirar energia intencionalmente. "Na China, há muito que trabalham com a energia na acupunctura, no tai-chi, no chi-kung, no reiki, onde se fala de formas de energia vital intencionalmente manipuladas, dispersas, enviadas, e no entanto a ciência ocidental tem pouca evidência de que existam sequer. Segundo algumas tradições, as sugadoras de energia são pessoas altamente desvitalizadas. Por exemplo, a tradição chinesa diz que era mau pessoas idosas deitarem-se perto de crianças porque, querendo ou não, podiam sugar-lhes a energia vital."

Então e se me aperceber de que está um vampiro a drenar-me, o que é que eu faço? "Partindo do princípio de que isso estava mesmo a acontecer-lhe, podia socorrer-se de práticas exotéricas como fazer uma bolha, visualizar um objecto cortante como uma espada ou um punhal, imaginar um muro entre as duas pessoas."

Claro que o único factor demonstrável nisto tudo é a existência de interacções estranhas que não sabemos explicar cientificamente. Mas não precisamos de nenhuma explicação paranormal para perceber que há pessoas que nos fazem sentir muito mal.

Deixar de ser vampiro
Há mais vampiros porque estamos num mundo de surdos, em que falamos e ninguém nos ouve? "De algum modo", defende Vítor. "Eu também gosto que os outros me valorizem e me concedam atenção. A diferença está entre obter tempo de antena com naturalidade - porque sou interessante, e interessado, e partilho, e gosto das pessoas - e usar meios de manipulação e pressão para obtê-lo à força."

Há muita gente que funciona nesta base manipulativa, como se a criança dentro deles acreditasse que não consegue atenção doutra maneira. "Uma parte dos nossos problemas vem de mecanismos que eram razoavelmente eficazes na infância mas que agora não funcionam, só que a criança dentro de nós continua a usá-los", explica Vítor Rodrigues. "E isso transforma-se numa pescada de rabo na boca: a pessoa não percebe que aquele mecanismo que usa face à carência o afasta ainda mais dos outros."

O pior é que o nosso tempo não ajuda a ‘desvampirizarmo-nos'. "Vivemos numa cultura que promove a neurose. Tudo está contra a pessoa encontrar-se e aprender a ser feliz. A pessoa tem de se realizar a vários níveis: físico, emocional, intelectual, espiritual. Mas a mensagem com que somos bombardeados todos os dias é que não é importante conhecermo-nos, o importante é usar determinado champô ou determinada marca de carro. Dizem-nos: não te ouças a ti próprio, corre atrás das cenouras que te põem à frente. E nem nos dão oportunidade de perceber se o que queremos são cenouras ou se afinal até gostamos mais de couves..."



10 Vampiros mais Comuns

Albert Bernstein enumerou alguns, mas de certeza que conhecemos muitos mais. O top 10 é constituído pelo vampiro Cobrador, que cobra tudo de todos, o Crítico, que se diverte a deitar abaixo, o Adulador, que seduz pelo elogio, o Reclamador, que protesta sem parar, o Inquiridor, que vive de perguntas, o Sofredor, que chora a sua desgraça, o Peganhento, que se cola a nós, o Grilo-Falante, que fala sem parar, o Hipocondríaco, que está sempre nas últimas, e o Agressivo, que declara guerra a tudo. Todos são tóxicos: aprenda a reconhecê-los e a defender-se.



10 Maneiras de se Defender

Antes que alguém se atire à sua jugular, tente as seguintes tácticas:

- Seja observadora. Aprenda a detectar os sinais de um vampiro emocional e não permita que entre na sua vida.

- Se se sentir inexplicavelmente satisfeita por ser tão útil, esteja atenta à falta de reciprocidade: não estará a ser sugada sem lhe darem nada em troca?

- Tire-lhe a máscara: tenha confiança nas suas opiniões e confronte-o com aquilo que pensa, sem agressividade.

- A maioria dos vampiros emocionais tem muita dificuldade em mudar. Se ele ficar furioso e encandeado pela luz do sol, a única solução pode ser afastar-se definitivamente.

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