domingo, 27 de maio de 2012

Danilo Gentili.




Danilo Gentili. Como resumir o destaque que esse profissional tem na TV e nas mídias sociais em apenas algumas linhas? Foi difícil. Sucesso na TV e polêmico por seu jeitão sem papas na língua, o apresentador da Band chama a atenção em qualquer coisa que diga.

Paulista de Santo André, na região metropolitana de São Paulo, Gentili começou sua carreira artística um tanto cedo, no stand-up. E, como ele mesmo diz, por um certo tipo de preguiça: “Minha ideia de fazer stand-up veio da minha repulsa ao trabalho. Odeio trabalhar, então pensei: ‘Vou virar comediante’. Nesse caminho acabei parando na TV. E sabe lá Deus onde eu vou parar depois da TV”.   Em entrevista exclusiva , Danilo Gentili não deixou o humor e as piadas de lado, não. Um tanto sério e profissional, o apresentador parecia estar em seu programa “Agora É Tarde”, sem perder a piada.

Sobre a atração, que passou a ser exibida diariamente este ano e faz sucesso na Band, o paulista ressaltou: “Todo o meu esforço é para todo dia apresentar um programa que eu gostaria de assistir”.

Nas próximas páginas, você confere a entrevista na íntegra – onde Danilo Gentili fala sobre o crescimento do stand-up no Brasil, as mídias sociais e as eleições para prefeitos no país, sobre a internet, religião, vida amorosa e muito mais.
- Primeiro, gostaria de saber como foi sua mudança do “CQC” para o “Agora É Tarde”. Como foi o processo de criação do programa e as conversas para deixar o programa encabeçado por Marcelo Tas?

DANILO GENTILI - Eu criei o programa em 2009. Alguém muito ativo na criação do programa foi o cara que hoje chefia o roteiro, o Alex. Conversamos constantemente sobre como queríamos fazer um programa que também gostaríamos de assistir antes mesmo de apresentar a ideia pra Band e consequentemente pra Eyeworks, que hoje produz.

Entrando no ar duas vezes por semana, o “Agora É Tarde” foi bem aceito pelo público e pela Band. Logo, ele passou a ser exibido diariamente. Ao que você atribui esse novo “passo”?

Acho que existe uma parcela significativa do público que, pra minha sorte, assiste na TV o mesmo tipo de coisa que eu gosto de ver, pois como eu disse anteriormente, todo meu esforço é para todo dia apresentar um programa que eu gostaria de assistir.

Nos primeiros programas, percebi que você estava um tanto “travado” como apresentador. Muita gente confundia quando você estava brincando e quando você estava falando sério. Foi uma tática para chamar atenção? Eu não sou um mentiroso tão bom assim, que consegue enganar todo mundo durante muito tempo, então minha tática sempre foi ser eu mesmo. Se eu parecia travado nos primeiros programas é porque eu realmente estava. Minha carreira na TV é curtíssima, minha bagagem também, então me sentia inseguro nos primeiros programas. E nem fazia questão de disfarçar. Minha preocupação maior era deixar claro pro público a essência do que estávamos fazendo ali. Eu sei que se conseguisse passar isso o público ia se sentir recompensado em acompanhar meu amadurecimento também nessa área. É como você ver seu amigo se formando na faculdade e depois se dando bem no mercado de trabalho.

Ninguém fala muito do seu início. Nascido em Santo André, você cursou Publicidade e Propaganda. De onde veio o gosto pelo humor e as ideias de formar um stand-up, ser apresentador?

É... Nasci em Santo André. Minha ideia de fazer stand-up veio da minha repulsa ao trabalho. Eu odeio trabalhar então pensei: vou virar comediante. Nesse caminho acabei parando na TV. E sabe lá Deus onde eu vou parar depois da TV. É possível que no asilo dos artistas. Espero que possa receber visita íntima lá. Estou juntando dinheiro pra isso... [risos]

Você já fez perguntas embaraçosas para celebridades e políticos, inclusive sendo agredido. Já recebeu ameaças sérias, de morte?  Já recebi processos, também já ouvi em Brasília um segurança ou assessor, ou capanga, sei lá quem era o cara, me dizer que por eu mexer com quem estou mexendo eu ia tomar um tiro na rua e todos iam pensar que era um assalto. Já apanhei de segurança, algumas vezes diante das câmeras, outras distante, como no dia da posse da Dilma [Roussef, presidente da república]. Já fui impedido de me hospedar em uma rede de hotel porque fiz piadas sobre certo político no meu show. Mas a pior ameaça que eu recebi até hoje foi quando um cara do Partido Progressista me convidou para me filiar ao partido! Você já recebeu elogios e foi destaque em matérias internacionais. Alguma vez rolou convite para participar de algo no exterior?

Sim! Ano passado eu estava em Los Angeles nos estúdios da Fox e recebi um convite para me retirar [risos].

Com o lançamento do “CQC” no Brasil, surgiu muita gente querendo fazer stand-up comedy. Qualquer pessoa quer ser humorista. Você vê pontos positivos ou negativos nisso?

Engraçado que o "CQC" não é associado com stand-up comedy em lugar nenhum do mundo. Só aqui. Obviamente porque tem uma boa parte do elenco que saiu de bares. Acho que o "CQC" e. modéstia à parte, o "Agora é Tarde" são os dois programas que mais souberam aproveitar o talento desse tipo de comediante na TV até agora, talvez porque são atrações que 
fazem a personalidade do elenco ser mais forte do que um personagem criado, essa é essência do stand-up e se encaixou perfeitamente no "CQC". Fico feliz quando muita gente quer fazer stand-up. É sinal que o gênero está estabelecido. E quanto mais gente faz, mais gente boa pode surgir, ainda que a maioria seja ruim e não vá longe.

Depois de estrear no “Agora É Tarde”, você não faz mais alguns comentários “fortes” que fazia antes. Isso tudo é cuidado por você ter outra postura na nova atração?

Sério? Eu acho na real que tenho dito coisas que nem no "CQC" eu dizia. Não porque eu tento ser mais ameno ou mais agressivo e sim porque a liberdade e o espaço que tenho hoje são ainda maiores. Talvez pareçam menos "fortes" meus comentários no meu programa porque ali, diferente de um Twitter onde é muito fácil tirar uma frase isolada feita pra rir e torná-la uma ofensa, ela está dentro de um contexto inegável de humor. No meu programa, cada comentário que faço é acompanhado do meu tom de voz, expressão facial, reação da plateia e isso torna mais difícil pra alguém "polemizar" uma frase que eu disse, porque o contexto humorístico que a frase foi proferida é inegável.

Como foi a escolha do elenco no seu programa? Murilo Couto, Marcelo Mansfield e Ultraje a Rigor, por exemplo, são seus amigos. Você foi o responsável direto por fazer essa escolha? Sim. E depois que meu programa estreou gostaram tanto que acabei indicando mais gente de stand-up por aí e o Mauricio Meirelles foi parar no "CQC" [risos].

Além de apresentador e humorista, você também é empresário. Como surgiu a ideia de abrir o Comedians? Há possibilidades de você ingressar em outros projetos como empreendedor?

Sim. Ano passado lancei com a MonsterJuice um game chamado "O Mundo vs Danilo Gentili". Fico feliz porque todo mundo que joga elogia e diz que está viciado. Penso em expandir esse circuito de comedy club por aqui de alguma forma com o Italo [Gusso], meu empresário. E eu tenho vendido alguns órgãos do meu corpo para laboratórios farmacêuticos fazerem experiências. Eles pagam bem [risos]. Quando pequeno você foi coroinha. Como você se relaciona com religião hoje em dia?

Eu nunca fui coroinha, pois só perdi minha virgindade depois dos 18 e com uma garota. [risos]. Passei minha adolescência lendo e pesquisando muito sobre religiões. Sempre foi um assunto que me fascinou. Depois de anos de pesquisa eu cheguei a conclusão que não preciso de uma religião. Consigo ir pro inferno sozinho. Este é ano de eleições. Os jovens do país nem sempre foram muito ligados nisso. Mas as mídias sociais estão muito fortes. Você acha que o acompanhamento e o interesse por política pode se tornar mais séria e maior nas próximas eleições com a ajuda da internet?

A internet ainda é um mistério que oscila muito pra mim. Talvez ela não seja tão forte como dizem para algumas coisas. Os assuntos mais comentados do Twitter sempre são as coisas que estão passando na TV, o que talvez prove que ela não é a futura substituta da TV e sim um veículo paralelo. E a molecada tem acesso a toda informação que quiser, mas só pesquisa sobre o Justin Bieber. Eu, quando era moleque, não tinha acesso a tanta informação, mas eu tinha boas referências de coisas que nem eram da minha época, como a Scarlet O’Hara, de "E o Vento Levou", ou os macaquinhos voadores do "Mágico de Oz". Falei outro dia do McFly no Twitter e achavam que eu estava falando de uma banda. Nunca ouviram falar em "De Volta para o Futuro".

Nunca ouvi você falando de sua vida amorosa. Conta aí para gente: você namora, é casado, está ficando?

Sou solteiro. E se você não tiver muitas doenças venéreas, acho que aceito [risos]. 

Nenhum comentário: